Desde que os primeiros automóveis começaram a circular há mais de cem anos, a evolução foi enorme. Internamente, os veículos tornaram-se mais rápidos, passaram a incluir sistemas de aquecimento e ar condicionado para conforto dos ocupantes, e contam hoje com tecnologia avançada — como sistemas multimédia, navegação por GPS e conectividade com serviços de streaming. A nível visual, os carros são oferecidos numa variedade de cores, estilos de acabamento e opções de iluminação. No entanto, apesar de tantos avanços, certos elementos foram sendo deixados para trás e as palas de guarda-lamas nos carros (também conhecidos como palas) são um exemplo disso.
Porque é que já não se vêem palas de guarda-lamas nos carros?
Atualmente, ainda se encontram algumas palas de guarda lamas por aí. No entanto são bastante menos comuns do que em décadas anteriores. Não há uma única razão que explique o seu desaparecimento nos automóveis ligeiros. Ainda assim há dois fatores principais que justificam essa mudança: o alcatroamento das estradas e a perda de utilidade.
Noutros tempos, os guarda-lamas eram essenciais para proteger a parte inferior do carro contra lama, pedras e detritos projetados pelos pneus. Porém, com a maioria das estradas agora pavimentadas, e com os condutores a circularem cada vez menos por caminhos de terra, esta proteção extra deixou de ser tão necessária. Além disso, nos carros modernos, a sua eficácia acabou por ser considerada pouco relevante face às melhorias no design e materiais dos veículos.
Ainda fazem sentido — mas sobretudo nos veículos pesados
Esta tendência de abandono diz mais respeito aos carros de passageiros. Se já passou algum tempo a conduzir em autoestrada, sabe que os camiões continuam equipados com palas nos guarda-lamas, e com bons motivos.
Os camiões de transporte — vulgarmente chamados de TIRs, pesados ou semi-reboques — são veículos de grandes dimensões, menos ágeis e pensados para longas distâncias. O seu funcionamento e exigências diferem bastante dos automóveis comuns. Por isso, não surpreende que continuem a depender de guarda-lamas.
Nestes casos, os guarda-lamas servem não só para proteger o próprio camião, mas também para garantir a segurança dos restantes condutores. Pneus de grandes dimensões tendem a projetar mais sujidade, água e pedras, o que pode reduzir a visibilidade e até danificar os veículos que circulam atrás. Além disso, ajudam a evitar que resíduos perigosos fiquem espalhados pela estrada, sobretudo quando o camião atravessa obras ou terrenos enlameados.
Outro benefício é a limpeza: estes acessórios evitam que a sujidade se acumule de forma excessiva nas partes inferiores do veículo. E há ainda quem refira que podem até ajudar ligeiramente no consumo de combustível, ao reduzir a resistência ao vento. Isto em veículos pesados, pode fazer a diferença.
E nos carros, ainda vale a pena?
Apesar de já não serem comuns nos automóveis ligeiros, nada impede que se instalem — e, em muitos casos, até o próprio condutor o pode fazer. A instalação varia consoante o modelo do carro e o tipo de guarda-lamas escolhido (alguns exigem fazer furos na carroçaria), mas o processo é, em geral, simples: limpar bem a zona onde vão ser colocados, remover os parafusos necessários na cava da roda, posicionar os guarda-lamas e voltar a fixar tudo no sítio.
Há vários motivos para querer instalar guarda-lamas num carro. Se costuma circular em estradas de terra, zonas com lama ou caminhos de gravilha, são uma excelente forma de proteger os componentes inferiores. Também ajudam a preservar a pintura, evitando pequenos impactos que podem causar lascas ou riscos. E, claro, há quem os use apenas por gosto estético.
Apesar de estarem em desuso, as palas dos guarda-lamas continuam a ter a sua utilidade. Não são essenciais para quem conduz apenas em cidade ou estrada, mas para quem conduz em zonas rurais ou em veículos de carga, podem ser uma mais-valia considerável.